Reportagens Especiais



 
 

FUTEBOLISMO NO SALÃO DO TURISMO

Cronograma do especial “Salão do Turismo” (em negrito, os assuntos de hoje):

Apresentação
1. Site da Copa do Mundo - 2014
2. Debates sobre a Copa no Brasil
3. Maracanã marca presença no Anhembi
4. O garotinho de Itu
5. Considerações finais


4. O GAROTINHO DE ITU

Durante o passeio pela exposição, de longe avistei um rapaz exageradamente alto – isso porque eu tenho 1,86m de altura. Ele estava trajando um uniforme de time de futebol.

Obviamente, com aquela altura exagerada, ele não poderia representar o torcedor de outro time de futebol que não fosse do Ituano Futebol Clube, da cidade de Itu, famosa pelo motivo de tudo lá ser de tamanho exagerado.
O “garotinho” de Itu, como é conhecido, é Danilo Fernandes de Lima, de 20 anos, que atua junto à Secretaria Municipal de Turismo, Lazer e Eventos, recepcionando e explicando os atrativos da cidade aos visitantes.

Além de seu porte físico avantajado, o garoto de “apenas” dois metros e dez centímetros de altura sabe falar inglês e espanhol e já começa a aparecer na mídia. Recentemente, foi mostrado duas vezes no programa Domingo Legal, do SBT, e agora tem a honra de aparecer no Futebolismo, ao lado do blogueiro e jornalista que vos escreve.


5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Brasil é um país gigante – equivale a 47% do território sul-americano – e maravilhoso por natureza. Ainda não tive – e talvez nem tenha – a oportunidade de conhecer de perto toda a beleza que este imenso território nos proporciona. Afinal, o país possui 27 unidades federativas e 5.565 municípios, numa extensão total de 8.514.876,599 km². Mas indo ao Salão do Turismo, pude conferir um pouco mais da cultura e dos pontos turísticos de cada Estado do Brasil.

Portanto, posso dizer que foi um passeio bastante interessante, e que me instigou a pesquisar mais informações sobre alguns lugares que eu pretendo conhecer. Além disso, vale destacar que, em pleno “país dos impostos”, pude conferir, gratuitamente, a uma belíssima exposição. Para maiores informações sobre o evento, acesse o site http://www.salao.turismo.gov.br.



Escrito por Felipe Virolli às 21h39
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FUTEBOLISMO NO SALÃO DO TURISMO

Cronograma do especial “Salão do Turismo” (em negrito, os assuntos de hoje):

Apresentação
1. Site da Copa do Mundo - 2014
2. Debates sobre a Copa no Brasil
3. Maracanã marca presença no Anhembi

4. O garotinho de Itu
5. Considerações finais

APRESENTAÇÃO

A cidade de São Paulo recebeu, nos primeiros cinco dias deste mês, a 4ª edição do “Salão do Turismo - Roteiros do Brasil”. Promovido pelo Governo Federal, através do Ministério do Turismo (MTur), o maior evento do turismo brasileiro aconteceu no Pavilhão de Exposições do Anhembi e trouxe muitas novidades e oportunidades, inclusive relacionadas ao futebol.

1. SITE DA COPA DO MUNDO - 2014

No segundo dia da exposição, foi lançado pelo MTur, um site para divulgar as ações e os projetos para a realização da Copa de 2014 no Brasil (http://www.copa2014.turismo.gov.br). “Essa é uma importante ferramenta de informação para gestores públicos, iniciativa privada, imprensa, curiosos e pessoas ligadas ao planejamento do Mundial”, declarou o ministro do Turismo, Luiz Barretto.

No entanto, o diretor do departamento de Promoção e Marketing Nacional do MTur, Márcio Nascimento, fez questão de ressaltar que esse não é um site oficial da Copa. “É um espaço de informações sobre o evento e o futebol, com um conteúdo interativo”.

Além das notícias sobre as 12 capitais que vão receber os jogos do campeonato, o site conta com um espaço dedicado a pesquisas, que têm por objetivo traçar um diagnóstico da infra-estrutura turística das cidades-sedes.

2. DEBATES SOBRE A COPA NO BRASIL

Foto: Felipe Virolli / Futebolismo.com.br

Algumas das cidades-sedes aproveitaram o Salão do Turismo para mostrar os preparativos para a realização da competição. No penúltimo dia, representantes de Manaus (AM) e Cuiabá (MT) falaram para o público presente ao “Núcleo do Conhecimento”, sobre investimentos em infra-estrutura e da preocupação dos dois governos em minimizar os impactos ambientais das intervenções que serão feitas nas capitais.

O debate foi mediado pelo diretor do Departamento de  Infra-estrutura Turística do Ministério do Turismo, Roberto Botolloto, que entende que um dos principais desafios para o setor do turismo na Copa do Mundo de 2014 será levar o turista para além das cidades onde serão realizados os jogos de futebol.

3. MARACANÃ MARCA PRESENÇA NO ANHEMBI

O Salão do Turismo é um evento que tem como principal objetivo apresentar os roteiros turísticos das 27 unidades da Federação aos visitantes. Inclusive, era possível adquirir pacotes e serviços turísticos para futuras viagens durante o evento.

Além disso, o público pôde ver e comprar o artesanato, os produtos da agricultura familiar e a gastronomia típica, assistir a manifestações artísticas de diversas regiões do país, debates e palestras e ainda conhecer casos de sucesso, trabalhos científicos e projetos relacionados ao turismo. Mas uma das instalações que mais chamou minha atenção na exposição, como não poderia deixar de ser, foi o “Maracanã”.

Fotos: Felipe Virolli / Futebolismo.com.br

Na próxima semana, continuaremos a falar sobre o nosso passeio no Salão do Turismo e de mais algumas curiosidades sobre o futebol que encontramos por lá.

"Especial Futebolismo": Seção atualizada aos sábados.

 



Escrito por Felipe Virolli às 09h02
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A VERDADEIRA HISTÓRIA DO "BRASILEIRÃO"

Cronograma do especial "Brasileirão" (em negrito, os assuntos de hoje):

Apresentação do tema
1. A necessidade da criação de um campeonato nacional
2. A Taça Brasil
3. A criação do "Robertão" e a extinção da Taça Brasil
4. O que mudou a partir de 1971?
5. De 1974 a 1979
6. Anos 80: Reformulação do campeonato?
7. De 1982 a 1985
8. O rebaixamento de 86 e a grande polêmica de 87
9. Tempo de mudanças importantes
10. Virando a mesa
11. Três pontos por vitória e, claro, mais bagunça
12. Mudanças no regulamento, sinônimo de confusão
13. Copa JH: Tudo em nome da virada de mesa
14. A era dos pontos corridos
15. Considerações finais

Estamos chegando ao fim de mais uma reportagem especial. Como não poderia deixar de ser, aproveito este último capítulo para fazer minhas considerações finais sobre o assunto.

15. CONSIDERAÇÕES FINAIS


Quem acompanhou toda a reportagem, com certeza tirou suas próprias conclusões e viu qual foi a realidade de cada “campeonato brasileiro”, desde 1959 – embora muita gente estudada, porém com pouca disposição para a pesquisa ou senso histórico, tente desqualificar as competições anteriores a 1971. Mas o fato é que essa coisa de não querer valorizar a história é síndrome de culturas jovens, que não valorizam as origens.

A Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, por exemplo, foram realizados na fase áurea do futebol brasileiro, pois de 1958 a 1970 o Brasil jogou três Copas do Mundo e ganhou três – de lá para cá, muito tempo se passou e ganhamos “apenas” mais duas. Sem contar que, naquela época, todos os jogadores convocados para a Seleção atuavam em times brasileiros. Hoje, só dá "estrangeiro".

Portanto, é um absurdo um país que se diz do futebol desmerecer uma das suas melhores fases no esporte. Ao mesmo tempo em que valoriza competições manchadas e bagunçadas, com diversas “viradas de mesa”, como a Copa João Havelange.

Na minha opinião, trata-se mesmo de desprezo à história, de seguir uma linha que prioriza a massa, o lucro.  O pior disso tudo é ver renomados colegas jornalistas fomentando a divulgação de informações erradas para confundir e iludir os desavisados. Não permita que façam a sua cabeça, caro leitor.

E ninguém aqui está querendo mudar o nome do “Robertão” e da “Taça Brasil” para “Campeonato Brasileiro”. Quem mudou o nome de todas as competições nacionais de 1971 para cá para "Campeonato Brasileiro" foi a imprensa, indevidamente. Conforme você acompanhou durante toda a reportagem, a nomenclatura “Campeonato Brasileiro” começou apenas em 1989 – e pulou a edição de 2000.

Portanto, qualquer pessoa que ousar dizer que os campeonatos anteriores a 1971 não tem o mesmo valor - porque não possuem o mesmo nome - da competição atual, informe-a que ela está totalmente equivocada. E caso fossem considerados “campeões brasileiros” apenas os campeões do “Campeonato Brasileiro”, a classificação seria a seguinte:

Na Espanha, antes do campeonato de pontos corridos, jogava-se um torneio anual como a Taça Brasil. Mesmo depois que ele foi substituído, seus campeões entraram para a história como campeões espanhóis. O mesmo exemplo da Espanha serve para a Alemanha, França, Itália, Inglaterra e outros países.

Apenas no Brasil que as pessoas parecem querer apagar o passado do nosso glorioso futebol. E sem motivo algum, pois se a Espanha reconhece como campeões nacionais aqueles que venceram uma competição anterior ao seu campeonato de pontos corridos, por que no Brasil - onde cada "Brasileirão" teve uma regra diferente até 2003 - deve ser diferente?

Aliás, se o objetivo da CBF – a exemplo das entidades de países onde o futebol é mais rico e organizado – é considerar todas as competições nacionais oficiais – que deram ao seu vencedor o status de campeão brasileiro –, então não há como não reconhecer este período a partir de 1959, quando foi realizada a primeira edição da Taça Brasil.

Confira agora o ranking de campeões brasileiros (através da pesquisa publicada neste blog):

Caso queira conferir o ranking de clubes do Futebolismo.com.br, clique aqui.

Fontes de pesquisas:

Livro “História Completa do Brasileirão - As Glórias dos Campeões”, de Roberto Assaf;

Bola na área (http://www.bolanaarea.com);

Quadro de medalhas (http://www.quadrodemedalhas.com);

Campeões do Futebol (http://www.campeoesdofutebol.com.br);

Dossiê "Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959", de Odir Cunha;

Texto e arte: Felipe Virolli (http://www.futebolismo.com.br); Divulgação autorizada mediante explícita citação do autor e do blog Futebolismo.

"Especial Futebolismo": Passando a história do futebol a limpo.



Escrito por Felipe Virolli às 15h33
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A VERDADEIRA HISTÓRIA DO "BRASILEIRÃO"

Cronograma do especial "Brasileirão" (em negrito, os assuntos de hoje):

Apresentação do tema
1. A necessidade da criação de um campeonato nacional
2. A Taça Brasil
3. A criação do "Robertão" e a extinção da Taça Brasil
4. O que mudou a partir de 1971?
5. De 1974 a 1979
6. Anos 80: Reformulação do campeonato?
7. De 1982 a 1985
8. O rebaixamento de 86 e a grande polêmica de 87
9. Tempo de mudanças importantes
10. Virando a mesa
11. Três pontos por vitória e, claro, mais bagunça
12. Mudanças no regulamento, sinônimo de confusão
13. Copa JH: Tudo em nome da virada de mesa
14. A era dos pontos corridos
15. Considerações finais

14. A ERA DOS PONTOS CORRIDOS

2003: Campeonato disputado por 24 agremiações. A CBF e os clubes se reuniram e decidiram adotar, em comum acordo, a fórmula dos pontos corridos. Embora não seja unanimidade, tal formato ganhou a aprovação da crônica esportiva e da opinião pública – tanto que foi mantido nas edições seguintes. O Cruzeiro de Vanderlei Luxemburgo disparou na liderança e venceu o campeonato com mais de 100 pontos – 13 a mais que o vice-campeão Santos. Neste ano experimental, apenas 2 equipes foram rebaixadas: Fortaleza e Bahia. Na Série B, Palmeiras e Botafogo conquistaram o acesso.

2004: A fórmula dos pontos corridos, aprovada pela maioria das pessoas envolvidas no futebol nacional, foi mantida, mas visando diminuir o número de clubes participantes – eram 24 até então –, optou-se pelo rebaixamento de 4 clubes nesta edição. O Santos, agora comandado por Vanderlei Luxemburgo, conquistou a taça, enquanto Grêmio, Vitória, Guarani e Criciúma foram rebaixados.

2005: Campeonato disputado por 22 clubes, com o mesmo regulamento do ano anterior. O Corinthians foi o legítimo campeão e não vamos abordar o “escândalo” que marcou este campeonato, pois o objetivo desta matéria é analisar os nomes, regulamentos e fazer comparações entre as competições nacionais.

2006: O campeonato finalmente chegou ao número ideal de equipes: 20. Mesmo assim, foi mantido o regulamento de rebaixar 4 clubes para a Série B – com a diferença de que, a partir desta edição, passaram a subir 4 times dela. O São Paulo, dirigido por Muricy Ramalho, foi o campeão.

2007: Regulamento idêntico ao do ano anterior. E o campeão também foi o mesmo: São Paulo Futebol Clube, de Muricy Ramalho.

2008: O regulamento continuou o mesmo, assim como o campeão.

Na próxima semana, abordaremos as conclusões finais sobre esta reportagem especial. Não perca!

"Especial Futebolismo": Seção atualizada aos sábados.



Escrito por Felipe Virolli às 16h13
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A VERDADEIRA HISTÓRIA DO "BRASILEIRÃO"


Cronograma do especial "Brasileirão" (em negrito, os assuntos de hoje):

 Apresentação do tema

1. A necessidade da criação de um campeonato nacional

2. A Taça Brasil

3. A criação do "Robertão" e a extinção da Taça Brasil

4. O que mudou a partir de 1971?

5. De 1974 a 1979

6. Anos 80: Reformulação do campeonato?

7. De 1982 a 1985

8. O rebaixamento de 86 e a grande polêmica de 87

9. Tempo de mudanças importantes

10. Virando a mesa

11. Três pontos por vitória e, claro, mais bagunça

12. Mudanças no regulamento, sinônimo de confusão

13. Copa JH: Tudo em nome da virada de mesa

14. A era dos pontos corridos

15. Considerações finais

13. COPA JH: TUDO EM NOME DA VIRADA DE MESA

2000: Dada a confusão e a dificuldade para se chegar a um consenso quanto ao rebaixamento do campeonato anterior, a CBF foi impedida pela justiça de publicar o regulamento do Brasileirão de 2000 e entregou a tarefa da organização do campeonato ao Clube dos 13. Mas foram necessários sete meses para que se chegasse a uma “solução” – e, cá entre nós, solução não apenas para o imbróglio envolvendo o Botafogo, pois tinham outros rebaixados interessados em levar vantagem com a confusão.

Por isso, foi criada a “Copa João Havelange”, com a fórmula de competição mais confusa de toda a história, com um total de 116 participantes, divididos em três módulos diferentes (o principal era o Azul). Obviamente, os critérios para a escolha das equipes obedeceu a toda sorte de interesses.

Assim sendo, o Bahia e o América Mineiro, que estavam na segunda divisão, além do Fluminense, da terceira divisão, se beneficiaram do regulamento e voltaram à elite ao serem convidados a integrar o tal “Módulo Azul”. Além disso, o Clube dos 13 também decidiu pela manutenção de Botafogo, Gama e Juventude no módulo que simbolizava a elite. Já o Botafogo-SP e o Paraná foram para o “Módulo Amarelo”, que contava com os clubes da “Série B” – existiam também os módulos “Verde” e “Branco”, correspondentes á “Série C”. Mas vale ressaltar que, apesar dos módulos serem divididos seguindo a divisão de escalão da edição anterior do Brasileirão, eles não representavam escalões inferiores, ou seja, no ano de 2000 não existiu Série B e C. A reunião dos 116 clubes formou uma única divisão, pois todos eles faziam parte da Copa João Havelange, portanto, o campeão poderia sair de qualquer um dos módulos. Além disso, por motivos lógicos, também ficou estabelecido que não haveria rebaixamento.

Esta “Copa João Havelange” foi conquistada pelo Vasco da Gama, que venceu o até então desconhecido São Caetano – que nunca tinha participado de um Campeonato Brasileiro da primeira divisão – na final. Vale lembrar que este regulamento foi bem mais confuso que o da edição de 1987, conquistada legitimamente pelo Sport. Basta comparar. No entanto, a maior parte da nossa imprensa valoriza esta conquista do Vasco e desmerece o feito do Sport. Por que será, hein? E se o São Caetano tivesse conquistado a “Copa JH”, será que também teria de brigar com a imprensa – igual faz o Sport – para ser reconhecido como campeão brasileiro? Como o Vasco ficou com a taça, é muito mais fácil para a imprensa simplesmente “reconhecer” o glorioso clube carioca como campeão brasileiro. Além disso, existem outros títulos, de 1959 a 1971 – que já analisamos –, de outros times, com regulamentos bem mais elaborados do que esta “Copa JH”, que a nossa CBF e imprensa também teimam em não lhes dar os seus devidos valores e reconhecê-los. Por que isso? Pelo compromisso com a verdade é que não é.

2001: As pressões e os interesses de políticos e dirigentes voltaram a determinar os critérios para a escolha dos participantes do campeonato. Mais uma vez, a CBF cedeu a tais pressões, ignorou o rebaixamento do Brasileirão de 1999 e oficialmente promoveu o Bahia, o América-MG e o Fluminense (que tinham sido convidados – sem méritos – a participar do “Módulo Azul” da esdrúxula “Copa JH”).

Com todo este panorama, o campeonato foi disputado por 28 clubes: os 22 da edição de 1999, os dois clubes que conquistaram o acesso naquele ano, os três times promovidos por convite – através da “Copa JH” – e o São Caetano, que foi vice-campeão daquela competição. Vale ressaltar que o Azulão foi o primeiro colocado no “Módulo Amarelo” e o Malutron, melhor time dos módulos “Verde” e “Branco”, também conseguiu promoção – mas à Série B – nesta temporada.

A Copa JH não tinha rebaixamento – provavelmente também não especificava no regulamento que haveria promoção – e, mesmo assim, acabou interferindo nas competições oficiais da CBF. Não dá para entender. Ou melhor, dá sim. Com todos estes dados, podemos afirmar que a Copa João Havelange, além de ter sido um campeonato com um regulamento confuso, acabou sendo uma verdadeira virada de mesa – mais uma, que atendeu aos interesses de clubes que tinham “padrinhos” influentes perante a organização do futebol nacional.

O Brasileiro de 2001 começou em 1º de agosto, mas mesmo agradando a gregos e troianos, estava ameaçado de não ser realizado até 26 de julho, por conta de uma ordem judicial obtida pelo Remo, que obrigava a CBF a incluí-lo no campeonato nacional. O clube do Pará alegava que tinha esse direito por ter ficado entre os 16 finalistas da edição de 2000 da “Copa JH”. No entanto, o ministro Nilson Naves concedeu liminar em medida cautelar para a CBF organizar a competição à sua maneira, ou seja, o clube paraense teve de se contentar em jogar a Série B. Apesar de todas estas confusões, esta edição do campeonato restabeleceu o acesso e o descenso. O campeão foi o Atlético Paranaense e os rebaixados foram Sport, Botafogo-SP, América-MG e Santa Cruz.

2002: Como caíram 4 e subiram 2 times da Série B, esta edição do Brasileirão teve a participação de 26 clubes. O Santos de Diego e Robinho foi o campeão, enquanto Palmeiras, Portuguesa, Gama e Botafogo amargavam o rebaixamento.

Na próxima semana, analisaremos as mudanças no formato da competição, que passou a ser disputada por pontos corridos. Não perca!

"Especial Futebolismo": Seção atualizada aos sábados.



Escrito por Felipe Virolli às 14h19
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A VERDADEIRA HISTÓRIA DO "BRASILEIRÃO"

 

Cronograma do especial "Brasileirão" (em negrito, os assuntos de hoje):

Apresentação do tema
1. A necessidade da criação de um campeonato nacional
2. A Taça Brasil
3. A criação do "Robertão" e a extinção da Taça Brasil
4. O que mudou a partir de 1971?
5. De 1974 a 1979
6. Anos 80: Reformulação do campeonato?
7. De 1982 a 1985
8. O rebaixamento de 86 e a grande polêmica de 87
9. Tempo de mudanças importantes
10. Virando a mesa
11. Três pontos por vitória e, claro, mais bagunça
12. Mudanças no regulamento, sinônimo de confusão
13. Copa JH: Tudo em nome da virada de mesa
14. A era dos pontos corridos
15. Considerações finais

12. MUDANÇAS NO REGULAMENTO, SINÔNIMO DE CONFUSÃO

1998: O regulamento sofreu pequenas alterações, mas manteve-se a regra do rebaixamento de 4 agremiações ao término do campeonato. Não houve qualquer interferência de fora do campo e o Corinthians superou o Cruzeiro nas finais e foi o campeão, enquanto que o Bragantino foi um dos rebaixados.

1999: O regulamento sofreu algumas alterações. A principal delas foi com relação ao rebaixamento, que foi determinado por média de pontos somados nos campeonatos de 1998 e 1999. A competição seguia normalmente, até que em 4 de agosto, após o São Paulo golear o Botafogo por 6 a 1, o clube carioca entrou com pedido de anulação da partida, alegando que a situação do atacante tricolor Sandro Hiroshi era irregular.

No dia 19, a Comissão Disciplinar atendeu à solicitação e tirou os três pontos do clube paulista, que logo tratou de mostrar um documento da CBF, que autorizava a participação do atleta nos jogos da equipe. Mesmo assim, os pontos daquele jogo foram dados ao Botafogo, que acabou – por isso – escapando do rebaixamento naquele campeonato.

O clube carioca ficou com uma média de 1,25 ponto, à frente de Gama (1,24), Paraná (1,09), Juventude (1,09) e Botafogo-SP (1,00). Nem preciso comentar que todos os clubes rebaixados, além do São Paulo, se sentiram prejudicados, não é mesmo? Pois bem, o Tricolor e, principalmente o Gama – que teria escapado do rebaixamento se não existisse a doação dos três pontos daquela partida ao Botafogo – apelaram à FIFA e à Justiça Comum.

Segundo o livro de Roberto Assaf, “seguiu-se então uma longa batalha jurídica, que envolveu entidades esportivas, tribunais, instituições políticas, advogados, magistrados, cartolas e toda a sorte de oportunistas”. Dentro de campo, o Corinthians superou o Atlético Mineiro nas finais e foi campeão novamente.

Na próxima semana, você irá conferir a história do campeonato mais bagunçado - na minha opinião - de todos os tempos do futebol nacional. Não perca!

"Especial Futebolismo": Seção atualizada aos sábados.

 



Escrito por Felipe Virolli às 16h17
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A VERDADEIRA HISTÓRIA DO "BRASILEIRÃO"

 

Cronograma do especial "Brasileirão" (em negrito, os assuntos de hoje):

Apresentação do tema

1. A necessidade da criação de um campeonato nacional

2. A Taça Brasil

3. A criação do "Robertão" e a extinção da Taça Brasil

4. O que mudou a partir de 1971?

5. De 1974 a 1979

6. Anos 80: Reformulação do campeonato?

7. De 1982 a 1985

8. O rebaixamento de 86 e a grande polêmica de 87

9. Tempo de mudanças importantes

10. Virando a mesa

11. Três pontos por vitória e, claro, mais bagunça

12. Mudanças no regulamento, sinônimo de confusão

13. Copa JH: Tudo em nome da virada de mesa

14. A era dos pontos corridos

15. Considerações finais

 

10. VIRANDO A MESA

 

1992: O Campeonato Brasileiro deste ano começou basicamente com o mesmo regulamento. Porém, ao longo da competição, os dirigentes começaram a tramar uma “virada de mesa”, para pôr fim à ausência de clubes importantes e que estavam rebaixados, especialmente o Grêmio (o Coritiba também estava rebaixado e já havia sido campeão brasileiro).

Mas o fato é que eles disputaram a “Segunda Divisão” e foram eliminados, portanto, teriam que permanecer por pelo menos mais um ano fora da elite. Porém, devido a toda esta bagunça e armação para ocorrer a “virada de mesa”, o Campeonato Brasileiro de 1992 acabou não tendo rebaixamento – pelo regulamento, Náutico e Paysandu foram rebaixados, mas se beneficiaram da situação para continuarem na elite no ano seguinte.

 

1993: A “virada de mesa” articulada no ano anterior realmente aconteceu e o Campeonato Brasileiro deste ano contou com a participação de 32 clubes (os 20 que já estavam + 12 advindos da “Segunda Divisão”). O regulamento desta edição foi feito pela CBF com o intuito de diminuir os riscos de rebaixamento dos grandes clubes. Para isso, determinou que cairiam 8 clubes no total (os quatro últimos colocados dos grupos C e D, onde estavam muitas equipes consideradas de menor importância). O Coritiba estava num destes grupos, não aproveitou a oportunidade e acabou caindo novamente.

 

1994: Foi criado um regulamento bastante complexo, com várias fases de classificação, mas sem nenhuma interferência de interesses dos dirigentes. Portanto, a regra do rebaixamento “voltou a ser o que era antes” e dois clubes caíram: Remo e Náutico. Neste ano, a segunda divisão passou a ser chamada de “Série B”.


11. TRÊS PONTOS POR VITÓRIA E, CLARO, MAIS BAGUNÇA

 

1995: Por determinação da FIFA, o campeonato passou a dar três pontos por vitória (o livro de Assaf diz que esta alteração ocorreu em 1994). Polêmicas da arbitragem na final entre Santos e Botafogo à parte – não é este o objetivo da reportagem –, esta edição do campeonato pode ser considerada normal.

 

1996: A estrutura do Campeonato Brasileiro permaneceu a mesma do ano anterior. O Grêmio sagrou-se campeão, porém, os 2 clubes rebaixados para a “Série B” foram Fluminense e Bragantino – logo, a CBF começou a ser pressionada por dirigentes esportivos e políticos de Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo, para que fosse articulada uma nova “virada de mesa”. Vale ressaltar que o Fluminense era um clube tradicional e o Bragantino tinha como seu patrono um dirigente da própria CBF, Nabi Abi Chedid, ou seja, “o circo estava armado”.

 

1997: Como pudemos observar, muita gente estava interessada em criar algum tipo de polêmica para, enfim, acontecer a tal “virada de mesa”. E conseguiram. Tudo começou em 7 de maio, quando o Jornal Nacional, da Rede Globo, denunciou um esquema de corrupção em torno de juízes, resultado de um grampo nos telefones do presidente da Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol (CONAF), Ivens Mendes.

Nas conversas gravadas, ele pedia dinheiro aos presidentes Mário Celso Petraglia e Alberto Dualib, de Atlético Paranaense e Corinthians, respectivamente, para ajudar estes clubes em seus próximos jogos. Em 5 de Junho, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) baniu Mendes e Petraglia do futebol, suspendeu Dualib por dois anos e decidiu afastar o clube paranaense de todas as competições por um ano. Curiosamente, o Corinthians não sofreu qualquer tipo de punição. Logo, cartolas e políticos iniciaram lobbys distintos, com o objetivo de manter o clube do Paraná no Campeonato Brasileiro ou incluir algum outro na vaga desse (vale lembrar que o Fluminense acabara de ser rebaixado). Mas no dia 19 de junho, o próprio STJD voltou atrás de sua decisão e manteve o Atlético Paranaense na Série A. Alegou que “um clube não pode pagar pelos erros de seus dirigentes”. Toda esta confusão foi a brecha encontrada por Fluminense e Bragantino para brigarem por seus direitos de permanência na primeira divisão.

Sendo assim, na tarde do dia seguinte, a CBF, enfim, cedia às pressões e aos interesses de muita gente para “virar a mesa” e anunciar, em nota oficial, que os clubes rebaixados nas Séries A e B de 1996 seriam mantidos em suas respectivas divisões.

Segundo a entidade, tal manobra obedeceu a um raciocínio lógico. “Houve vestígios de que algo não andou bem com a arbitragem. Como não se pode identificar todos os que foram prejudicados, decidimos não rebaixar clube algum”, declarou o diretor técnico da CBF, Gilberto Coelho. Com isso, América-RN e União São João vieram promovidos da Série B e o Brasileirão contou com 26 participantes, pois nenhum da Série A foi rebaixado. Devido ao excesso de times, o regulamento definiu que, ao final do campeonato, 4 clubes seriam rebaixados.Apesar de toda a confusão, o campeonato foi de bom nível dentro de campo, o Vasco foi campeão e o Fluminense foi rebaixado novamente.

 


"Especial Futebolismo": Seção atualizada aos sábados.

 



Escrito por Felipe Virolli às 16h10
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A VERDADEIRA HISTÓRIA DO "BRASILEIRÃO"

 

Cronograma do especial "Brasileirão" (em negrito, os assuntos de hoje):

Apresentação do tema
1. A necessidade da criação de um campeonato nacional
2. A Taça Brasil
3. A criação do "Robertão" e a extinção da Taça Brasil
4. O que mudou a partir de 1971?
5. De 1974 a 1979
6. Anos 80: Reformulação do campeonato?
7. De 1982 a 1985
8. O rebaixamento de 86 e a grande polêmica de 87
9. Tempo de mudanças importantes
10. Virando a mesa
11. Três pontos por vitória e, claro, mais bagunça
12. Mudanças no regulamento, sinônimo de confusão
13. Copa JH: Tudo em nome da virada de mesa
14. A era dos pontos corridos
15. Considerações finais

9. TEMPO DE MUDANÇAS IMPORTANTES


1988: Após muita confusão na última edição do campeonato nacional, a CBF decidiu realizar um campeonato mais enxuto e competitivo, com apenas 24 clubes – para isso se utilizou daquele tal “ranking histórico” – e, pela primeira vez, com um sistema verdadeiro de acesso e descenso, conforme exigido pela Fifa. E, desta vez, o regulamento foi cumprido, pois os 4 últimos colocados da primeira divisão (Bangu, Santa Cruz, Criciúma e América/RJ) caíram para a segunda divisão em 1989, sendo substituídos por Inter de Limeira e Náutico, respectivamente campeão e vice da “segundona” em 1988.
Além disso, outras mudanças aconteceram na competição, principalmente com relação à pontuação: passou a existir os 3 pontos por vitória no tempo normal e os jogos que terminassem empatados seriam decididos nos pênaltis (valendo 2 pontos). Os times derrotados – tanto no tempo regulamentar quanto nos pênaltis – somavam 1 ponto. Outro fato a ser destacado – neste caso, apenas por curiosidade – é que no primeiro jogo do campeonato, ambos os times (Vitória e América) não sabiam desta nova regra de pontuação até o intervalo. “Copa União” foi o nome oficial desta competição e a segunda divisão foi batizada como “Divisão Especial”.

1989: Em 16 de janeiro, Ricardo Teixeira assumiu a presidência da CBF. Foi neste ano que a “Copa do Brasil” foi criada. Além disso, a principal competição nacional passou a ser denominada pela entidade como “Campeonato Brasileiro”. Uma curiosidade desta edição é que o Vasco, dono da melhor campanha na primeira fase, tinha uma estranha opção na decisão contra o São Paulo: se escolhesse jogar a primeira partida da final fora de casa e ganhasse, seria campeão sem a necessidade do segundo jogo. Pagou para ver e saiu do Morumbi com a taça. O regulamento teve algumas poucas alterações, mas nada relevante para o assunto da nossa reportagem.

1990: O regulamento permaneceu basicamente o mesmo e o Corinthians foi campeão.  Como esta edição contou com o número ideal de clubes (20), apenas dois passaram a ser rebaixados, enquanto outros dois eram promovidos. Além disso, a até então “Divisão Especial” passou a se chamar oficialmente “Segunda Divisão”.

1991: Após dois vice-campeonatos, o São Paulo conquistou a taça. Neste ano, Grêmio e Vitória foram os rebaixados para a Segunda Divisão.

Na próxima semana, vamos analisar outra tentativa bem sucedida de "virada de mesa", para pôr fim à ausência de clubes importantes e que estavam rebaixados, especialmente o Grêmio  - o Coritiba também estava rebaixado e já havia sido campeão brasileiro. Não perca!

"Especial Futebolismo": Seção atualizada aos sábados.

 



Escrito por Felipe Virolli às 13h16
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A VERDADEIRA HISTÓRIA DO "BRASILEIRÃO"

Cronograma do especial "Brasileirão" (em negrito, os assuntos de hoje):

Apresentação do tema
1. A necessidade da criação de um campeonato nacional
2. A Taça Brasil
3. A criação do "Robertão" e a extinção da Taça Brasil
4. O que mudou a partir de 1971?
5. De 1974 a 1979
6. Anos 80: Reformulação do campeonato?
7. De 1982 a 1985
8. O rebaixamento de 86 e a grande polêmica de 87
9. Tempo de mudanças importantes
10. Virando a mesa
11. Três pontos por vitória e, claro, mais bagunça
12. Mudanças no regulamento, sinônimo de confusão
13. Copa JH: Tudo em nome da virada de mesa
14. A era dos pontos corridos
15. Considerações finais

Chegamos ao capítulo que envolve o tema mais polêmico da história do chamado "Campeonato Brasileiro". Quem é o verdadeiro campeão de 1987? Sport ou Flamengo? A CBF, a FIFA, a justiça e mais uma minoria da imprensa - pelo menos em São Paulo e Rio de Janeiro - dizem que foi o Sport. Já grande parte da imprensa e das pessoas citam o Flamengo. Afinal, quem tem razão? Confira o post de hoje e descubra o que, de fato, aconteceu.

8. O REBAIXAMENTO DE 1986 E A GRANDE POLÊMICA DE 1987

1986: Foi neste ano que a CBF criou, pela primeira vez, o rebaixamento. Ficou definido que cairiam os dois últimos colocados de cada um dos quatro grupos e a competição novamente passou a se chamar “Copa Brasil” e ter um novo – polêmico – regulamento, que voltou a provocar protestos de muita gente. No geral, foram 48 times na disputa, sendo que 44 deles iniciaram a competição desde a primeira fase. Destes, 32 passavam para a segunda-fase, juntamente com os promovidos do “módulo paralelo”, que não tinha nome nesta edição. Ou seja, era uma competição desgastante, que começou em 30 de agosto de 1986 e terminou em 25 de fevereiro de 1987.

1987: Uma revolução aconteceu no futebol nacional. A CBF, mal administrada e sem recursos, declarou-se incapaz de promover o campeonato daquele ano. Isso levou os principais clubes do país a criarem, em 11 de julho, uma liga independente, chamada de “Clube dos 13”, que prontamente formulou a “Copa União”, com os times da “panela” mais três convidados.
Porém, pressionada – e com razão – pelos clubes que ficaram de fora da competição, em 14 de julho, a CBF voltou atrás de sua decisão e iniciou uma briga com o recém-criado “Clube dos 13” para discutir um novo formato para a competição nacional. Seguiram-se quase dois meses de discussões. Até que, em 3 de setembro, ficou acordado entre CBF e Clube dos 13, um campeonato com 32 clubes, divididos em dois módulos: o Verde, com os 16 times citados anteriormente, e o amarelo, com outros 16 times, escolhidos com base no tal “ranking histórico” da entidade máxima nacional. Vale ressaltar que os jogos de ambos os módulos só passaram a ser disputados após o acordo. Portanto, é mentirosa a afirmação de que a “Copa União” estava em pleno andamento quando a CBF impôs o novo regulamento – que previa que os dois melhores times de cada módulo disputassem um quadrangular decisivo para definir o campeão nacional (da “Copa Brasil”).

O QUE DIZ O LIVRO DE ROBERTO ASSAF

-    A organização do campeonato foi do Clube dos 13;
-    A CBF não poderia impor o novo regulamento, pois não era a responsável pela organização da competição – sim, isso ele repete de forma veemente no livro;
-    Qualquer torcedor com bom senso e com capacidade para compreender os fatos sabe que o verdadeiro campeão daquele ano é o Flamengo;


Na minha opinião, estes trechos são um tanto quanto apelativos e nada argumentativos. Ao afirmar que “quem tem bom senso e analisa os fatos sabe que o Flamengo foi o campeão”, Assaf vai contra a razão e subestima milhões de pessoas, inclusive este que vos escreve.
Não tenho motivo – e mesmo que o tivesse, não o usaria – para desmerecer o Flamengo, que tem a maior torcida do Brasil. Um clube reconhecido pelo Futebolismo (e não pela FIFA) como legítimo campeão do mundo não tem que se preocupar em ter um título nacional a mais “no grito”.
Na época, o acordo foi claro entre ambas as partes (CBF e C13) e assinado, inclusive, por Eurico Miranda. A confusão só aconteceu porque, no final das contas, os membros do módulo verde (C13) combinaram entre si que não fariam o cruzamento final - seria o mesmo que o campeão da Taça Libertadores ou da Champions League se recusar a participar do Mundial de Clubes (que também envolve times inexpressivos de outros continentes) e, mesmo assim, se considerar campeão do mundo. Seria um absurdo, não é mesmo? Pois bem, com essa desistência de Internacional e Flamengo, foi organizada uma decisão entre Sport e Guarani, que determinou o clube pernambucano como campeão brasileiro de 1987. Inclusive, Sport e Guarani representaram o Brasil na Taça Libertadores de 1988.
Mesmo assim, após a decisão da CBF, da FIFA, de o Sport ter ido à Libertadores e ter recebido o troféu de campeão nacional, o Flamengo levou o caso à Justiça. E o veredicto mais uma vez foi favorável ao clube pernambucano. Portanto, em todas as esferas e instâncias possíveis, o Sport é o campeão brasileiro de 1987. Inclusive, esta é a minha opinião, após toda esta análise que compartilho com você, caro leitor.
E ninguém duvida que o módulo verde reunia os principais times do país. Mas o que vale é o que é de direito. E de fato e de direito, o título brasileiro de 1987 é do Sport Recife, restando ao glorioso Flamengo apenas a conquista da “Copa União” (que por ter uma certa importância no cenário nacional, contabiliza no ranking do Futebolismo – isso é ter bom senso – como uma competição de mesmo valor que a atual Copa do Brasil).

FOTO: Equipe do Site Oficial - Sport Club do Recife

Taça de campeão brasileiro, com a inscrição: "Copa Brasil 1987 - Troféu Caixa Econômica Federal"

MÓDULO AMARELO ERA SEGUNDA DIVISÃO?

É um absurdo dizer que o módulo amarelo representava a segunda divisão. Conforme já analisamos, na época não existia segunda divisão e, se existisse, o Botafogo deveria participar dela. Aliás, como poderia o Guarani, vice-campeão nacional de 1986, disputar a segunda divisão em 1987?
Além dele, outros clubes que jogaram o módulo amarelo também eram importantes no cenário nacional, inclusive com pontuações maiores no tal "ranking histórico" do que alguns times convidados pelo C13 a participar da Copa União. Portanto, qualquer tipo de afirmação no sentido de menosprezar o módulo amarelo deve ser desconsiderada.

Existia também o módulo branco e o módulo azul. Estes sim, na prática, eram parte de uma segunda divisão – com clubes menos expressivos – embora oficialmente ela não existisse.

"Especial Futebolismo": Seção atualizada aos sábados.



Escrito por Felipe Virolli às 18h39
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A VERDADEIRA HISTÓRIA DO "BRASILEIRÃO"

 


Cronograma do especial "Brasileirão" (em negrito, os assuntos de hoje):

Apresentação do tema
1. A necessidade da criação de um campeonato nacional
2. A Taça Brasil
3. A criação do "Robertão" e a extinção da Taça Brasil
4. O que mudou a partir de 1971?
5. De 1974 a 1979
6. Anos 80: Reformulação do campeonato?
7. De 1982 a 1985
8. O rebaixamento de 86 e a grande polêmica de 87
9. Tempo de mudanças importantes
10. Virando a mesa
11. Três pontos por vitória e, claro, mais bagunça
12. Mudanças no regulamento, sinônimo de confusão
13. Copa JH: Tudo em nome da virada de mesa
14. A era dos pontos corridos
15. Considerações finais

7. DE 1982 A 1985

1982: A “Taça de Ouro” manteve basicamente o mesmo regulamento para a disputa do título nacional e com o mesmo número de participantes do ano anterior. No entanto, as equipes eliminadas da primeira fase da competição passavam a integrar a “Taça de Prata” no mesmo ano. Com isso, ganhavam uma oportunidade para garantir antecipadamente a vaga na edição da “Taça de Ouro” do ano seguinte, conforme previa o regulamento da “Taça de Prata”.

1983: Foi mantido exatamente o mesmo regulamento do ano anterior. Coutinho foi reeleito presidente da CBF, que teve de criar um “ranking histórico” para justificar a inclusão do Santos na “Taça de Ouro”, sendo que, pelos critérios até então adotados, o time alvinegro teria de brigar para se qualificar para a segunda fase através da “Taça de Prata”. Ainda neste ano, o Juventus se beneficiou do regulamento do campeonato nacional para garantir uma vaga antecipada na “Taça de Ouro” do ano seguinte, conforme vimos na ilustração anterior.

1984: A CBF novamente alterou o nome do campeonato nacional para “Copa Brasil”, que passou a ter 42 equipes. Com isso, a “Taça de Prata” também mudou de nome e passou a se chamar “Taça CBF”. Neste ano, a CBF novamente teve de recorrer ao “ranking histórico” para incluir o Grêmio (na época atual campeão mundial) e o Vasco diretamente na “Copa Brasil”, sem a necessidade deles disputarem a  “Taça CBF” – o que seria mais correto.

1985: A competição novamente passou a se chamar “Taça de Ouro” e a contar com 44 equipes (incluindo campeão e vice da “Taça CBF”). Mas a CBF elaborou um regulamento polêmico, e dividiu os clubes em duas séries: a “rica”, com os 20 clubes mais bem colocados em seu “ranking histórico”, e a “pobre”, de acordo com a posição final dos times em seus respectivos estaduais.
A “Taça CBF” também mudou de nome e voltou a se chamar “Taça de Prata”. Porém,
nesta edição, acabou não classificando nenhuma equipe para a disputa do título nacional, ou seja, exclusivamente neste ano, podemos considerá-la como uma “segunda divisão”. Na próxima semana, abordaremos muitas polêmicas. Na sua opinião, quem é o verdadeiro campeão brasileiro de 1987? Flamengo ou Sport? Continue acompanhando o especial sobre a verdadeira história do Campeonato Brasileiro que o Futebolismo.com.br contará para você. Não perca!

"Especial Futebolismo": Seção atualizada aos sábados.

 



Escrito por Felipe Virolli às 15h51
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Cronograma do especial "Brasileirão" (em negrito, os assuntos de hoje):

Apresentação do tema
1. A necessidade da criação de um campeonato nacional
2. A Taça Brasil
3. A criação do "Robertão" e a extinção da Taça Brasil
4. O que mudou a partir de 1971?
5. De 1974 a 1979
6. Anos 80: Reformulação do campeonato?
7. De 1982 a 1985
8. O rebaixamento de 86 e a grande polêmica de 87
9. Tempo de mudanças importantes
10. Virando a mesa
11. Três pontos por vitória e, claro, mais bagunça
12. Mudanças no regulamento, sinônimo de confusão
13. Copa JH: Tudo em nome da virada de mesa
14. A era dos pontos corridos
15. Considerações finais

6. ANOS 80: REFORMULAÇÃO DO CAMPEONATO?

1980: Giulite Coutinho assumiu a presidência da CBF em 18 de janeiro e tratou de empreender a reformulação que havia prometido. Embora a entidade tenha criado critérios discutíveis para compor a relação dos participantes, começou a colocar ordem no campeonato, que passou a se chamar “Taça de Ouro” e a contar, inicialmente, com 40 equipes no módulo principal. Na segunda fase, além dos times classificados neste módulo, outros quatro times vindos de outro módulo, denominado “Taça de Prata”, passavam a disputar o campeonato.


1981: A “Taça de Ouro” manteve basicamente o mesmo regulamento para a disputa do título nacional e com o mesmo número de participantes do ano anterior. Neste ano, foi criada a “Taça de Bronze”, para ser disputada entre os times que não participavam das Taças de Ouro e Prata. Vale ressaltar que ela era apenas uma competição para manter estas equipes em atividade, mas não tinha nenhuma ligação com as outras Taças. Ou seja, seria uma espécie de segunda divisão, mas que não dava privilégio nenhum ao seu vencedor (no caso, o Olaria), pois não existia promoção ou rebaixamento. Por não ter sentido esta disputa naquela época, a competição não teve continuidade no ano seguinte. Mas este é o assunto da nossa próxima semana. Não perca!

"Especial Futebolismo": Seção atualizada aos sábados.



Escrito por Felipe Virolli às 14h24
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Cronograma do especial "Brasileirão" (em negrito, os assuntos de hoje):

Apresentação do tema
1. A necessidade da criação de um campeonato nacional
2. A Taça Brasil
3. A criação do "Robertão" e a extinção da Taça Brasil
4. O que mudou a partir de 1971?
5. De 1974 a 1979
6. Anos 80: Reformulação do campeonato?
7. De 1982 a 1985
8. O rebaixamento de 86 e a grande polêmica de 87
9. Tempo de mudanças importantes
10. Virando a mesa
11. Três pontos por vitória e, claro, mais bagunça
12. Mudanças no regulamento, sinônimo de confusão
13. Copa JH: Tudo em nome da virada de mesa
14. A era dos pontos corridos
15. Considerações finais


No capítulo de hoje, continuaremos a análise dos fatos ocorridos entre os anos de 1974 a 1979. Vale a pena notar os nomes dos campeonatos, até então nenhum com a nomenclatura oficial de "Campeonato Brasileiro" e, principalmente, os regulamentos, cada vez mais confusos e ridículos, na maioria das vezes em prol da bagunça e dos interesses dos cartolas e políticos da época.

5. DE 1974 A 1979

1974: O Conselho Nacional de Desportos (CND) desaconselhou o aumento no número de participantes na competição, que ficou mantido em 40 – entende-se que o campeão da 2ª divisão ficou com a vaga do “rebaixado” Sergipe. No entanto, durante o campeonato, a CBD resgatou um expediente bizarro: a classificação de dois clubes para a segunda fase de acordo com a renda, que acabou beneficiando o Flamengo e Nacional. A bizarrice era tão grande que o time do Amazonas tinha perdido por 3 a 0 do Goiás no último jogo da primeira fase, ficou na 17ª colocação do grupo B, mas graças ao público de 10.598 pagantes, seguiu adiante.

1975: A CBD ganhou um novo presidente, o almirante Heleno Nunes, substituindo João Havelange, que assumiu o comando da FIFA.  Neste ano, a CBD lançou um troféu sofisticado, produzido pelo designer Maurício Salgueiro e o campeonato passou a ser chamado oficialmente de “Copa Brasil” e ter 42 participantes (como não existia rebaixamento, entende-se que um clube chegou promovido da 2ª divisão, além do retorno do Sergipe, que estava afastado da última edição). A nova nomenclatura da competição perdurou até a edição de 1979 – este assunto de nomes dos campeonatos analisaremos mais à frente, mas já dá para notar que o “Campeonato Brasileiro” (pelo menos com este nome) não começou em 1971, tampouco foi mantido ao longo dos anos. Vale ressaltar também que, assim como a “Taça Brasil”, a “Copa Brasil” não tem nada a ver com a atual “Copa do Brasil’, criada em 1989.

1976: A II Copa Brasil passou a ter 54 equipes, em nome da integração proposta pelo governo.

1977: A III Copa Brasil foi uma edição com 62 clubes participantes. Devido ao excessivo número de times, o campeonato começou em 16 de outubro de 1977 e terminou em 5 de março de 1978.

1978: Devido a diversos objetivos políticos, mais clubes foram convidados pela CBD para a disputa da IV Copa Brasil, cuja edição teve a participação de 74 equipes no total.

1979: Quando a V Copa Brasil começou, em 22 de setembro, vários campeonatos regionais ainda estavam em andamento – inclusive os do Rio de Janeiro e São Paulo. Dois dias depois, o Ministério da Educação e Cultura do Governo João Figueiredo determinou a criação de entidades específicas para os esportes – antes, todos eram controlados pela CBD, que após esta determinação se transformou em CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
Mas esta edição do “Brasileirão” (que na época não se chamava assim) ainda foi organizado pela antiga CBD e contou com a participação do absurdo número de 94 equipes. E poderia ter tido ainda mais clubes.
Mas devido a toda essa bagunça, Corinthians, Portuguesa, Santos e São Paulo alegaram que o regional era mais rentável e desistiram de participar da competição nacional.
No fim do ano, o empresário Giulite Coutinho foi eleito presidente da CBF para um período de três anos, e prometeu uma reformulação no campeonato nacional. Mas este será o assunto do nosso próximo capítulo. Não perca!

"Especial Futebolismo": Seção atualizada aos sábados.



Escrito por Felipe Virolli às 13h29
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A VERDADEIRA HISTÓRIA DO "BRASILEIRÃO"

Cronograma do especial "Brasileirão" (em negrito, os assuntos de hoje):

 Apresentação do tema

1. A necessidade da criação de um campeonato nacional

2. A Taça Brasil

3. A criação do "Robertão" e a extinção da Taça Brasil

4. O que mudou a partir de 1971?

5. De 1974 a 1979

6. Anos 80: Reformulação do campeonato?

7. De 1982 a 1985

8. O rebaixamento de 86 e a grande polêmica de 87

9. Tempo de mudanças importantes

10. Virando a mesa

11. Três pontos por vitória e, claro, mais bagunça

12. Mudanças no regulamento, sinônimo de confusão

13. Copa JH: Tudo em nome da virada de mesa

14. A era dos pontos corridos

15. Considerações finais

4. O QUE MUDOU A PARTIR DE 1971?

No capítulo de hoje, vamos acompanhar a história das competições nacionais a partir de 1971, com base nas minhas pesquisas e no livro "História Completa do Brasileirão", de Roberto Assaf. Vale ressaltar que minha intenção não é destacar os times campeões, os gols mais bonitos, os jogadores que fizeram história, etc. O propósito desta reportagem especial é analisar e comparar os valores dos campeonatos nacionais existentes desde 1959.

Obs: Caso você queira saber mais curiosidades, os grandes destaques, os regulamentos de cada ano (exceto 1987, que o autor simplesmente ignora o Sport, o legítimo campeão brasileiro daquele ano) e as histórias dos grandes campeões da competição (a partir de 1971), vale a pena comprar o livro.

1971: A experiência bem-sucedida com as quatro edições do Torneio Roberto Gomes Pedrosa levou a CBD a oficializá-lo como "Campeonato Nacional de Clubes" da primeira divisão - sim, os critérios de participação na competição continuaram os mesmos. O que mudou? O Ceará passou a ter um representante e os Estados de Minas Gerais e Pernambuco ganharam mais uma vaga (cada) – ou seja, o campeonato passou a ter 20 clubes, ao invés de 17. Nenhuma mudança drástica para considerarmos que antes de 1971 não existia um campeonato importante no Brasil, não é mesmo?

O que podemos destacar – e não existia antes – é que, devido ao plano de integração nacional em larga escala, proposto pelo Governo Militar, foi criada a 2ª divisão (embora não houvesse rebaixamento), mas devido à política que ditava o critério de escolha dos participantes, quem ficou com a vaga na elite do ano seguinte foi o vice-campeão Remo e não o campeão Vila Nova-MG. Este era o início de uma série de politicagens que vamos acompanhar ao longo desta reportagem especial.

1972: Por determinação do Governo, neste ano a CBD ampliou o campeonato para 26 clubes, com representantes de Alagoas, Amazonas, Pará, Rio Grande do Norte e Sergipe, além do recém-promovido Remo. Mais uma vez, ficou estabelecido que não haveria rebaixamento.

1973: Os muitos interesses políticos que passaram a existir em torno do campeonato fizeram a CBD ampliá-lo para 40 clubes (de 20 Estados no total). Foi uma autêntica maratona! Tanto que só foi definido o campeão em fevereiro do ano seguinte. E vale ressaltar que não existia rebaixamento, mas devido à vexatória campanha do Sergipe – sofreu 19 derrotas – na competição, a CBD decidiu retirá-lo da edição seguinte.

Na próxima semana, vamos continuar acompanhando os acontecimentos dos anos seguintes. Não perca!

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Escrito por Felipe Virolli às 01h10
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A VERDADEIRA HISTÓRIA DO "BRASILEIRÃO"

 

Cronograma do especial "Brasileirão" (em negrito, os assuntos de hoje):

 

Apresentação do tema

1. A necessidade da criação de um campeonato nacional

2. A Taça Brasil

3. A criação do "Robertão" e a extinção da Taça Brasil

4. O que mudou a partir de 1971?

5. De 1974 a 1979

6. Anos 80: Reformulação do campeonato?

7. De 1982 a 1985

8. O rebaixamento de 86 e a grande polêmica de 87

9. Tempo de mudanças importantes

10. Virando a mesa

11. Três pontos por vitória e, claro, mais bagunça

12. Mudanças no regulamento, sinônimo de confusão

13. Copa JH: Tudo em nome da virada de mesa

14. A era dos pontos corridos

15. Considerações finais

 

2. A TAÇA BRASIL

 

Entre idas e vindas do Torneio RIO-SP e outras competições interestaduais, em 1959 a CBD (Confederação Brasileira de Desportos) criou a Taça Brasil (nome de batismo do primeiro campeonato nacional), com a finalidade de indicar um representante para a recém-criada Taça Libertadores da América. Resumidamente, para conquistar a América, era necessário ter conquistado o Brasil. E para conquistá-lo na época, era necessário ter conquistado o seu Estado.

 

 

O sistema de disputa era em formato de copa (eliminatório). Normalmente, as equipes de São Paulo e Rio de Janeiro (por terem campeonatos estaduais considerados mais fortes) entravam na fase semi-final. O campeão da Taça Brasil era declarado campeão brasileiro e, conseqüentemente, representava o país na competição continental.

 

Vale ressaltar que a Taça Brasil não tem nada a ver com a Copa do Brasil, a não ser pela forma de disputa (jogos eliminatórios). Para jogar a Taça Brasil, o clube obrigatoriamente tinha de ser o atual campeão estadual (assim como para participar da Copa do Mundo de Clubes atual é necessário ser o campeão continental). Não época, não tinha mutreta nem time convidado. E apenas o campeão brasileiro se classificava para a Libertadores (que também era um campeonato muito mais curto, conforme observamos no tópico anterior).

 

3. A CRIAÇÃO DO “ROBERTÃO” E A EXTINÇÃO DA TAÇA BRASIL

 

Após o fiasco da Seleção na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, a CBD decidiu colocar em prática planos mais ousados de integração para o futebol brasileiro. Por isso, em 1967, foi criado o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, conhecido como “Robertão”, em homenagem ao ex-goleiro da Seleção e ex-presidente da Federação Paulista de Futebol. Nesta primeira edição, o campeonato contou com 15 clubes (de apenas 5 Estados), ou seja, era uma competição de âmbito nacional com um modelo que visava incluir a maioria dos grandes clubes dos principais centros, diferentemente da Taça Brasil, que só incluía os campeões estaduais. Mas vale ressaltar que, mesmo com a criação desta nova competição, neste ano (1967), o principal campeonato nacional - que garantia vaga ao campeão na Taça Libertadores – continuava sendo a Taça Brasil.

O modelo de disputa do “Robertão” garantiu o sucesso da competição, que agradou aos clubes participantes, dirigentes e torcedores (a média por jogo era de 20.465 pessoas). O campeonato iniciou em 5 de março e terminou em 8 de Junho (o livro de Assaf erroneamente informa que a competição terminou em 14 de maio, mas esta data foi do término da primeira fase, ou seja, ele esqueceu dos jogos do quadrangular final, que definiu o Palmeiras como campeão).

 

 

Como a experiência com o “Robertão” foi boa na concepção da CBD, ela decidiu adotar o modelo e, por isso, no ano seguinte (1968), incluiu um time da Bahia e outro de Pernambuco. Além disso, imediatamente determinou a transição de valores entre os dois campeonatos nacionais existentes na época, ou seja, a Taça Brasil perdeu o seu caráter de designação do campeão brasileiro para se tornar uma competição secundária no cenário nacional. Com esta “troca de importância” entre os campeonatos, obviamente que a indicação dos representantes brasileiros na Libertadores também passou a ser determinada pelo “Robertão”. Porém, naquele mesmo ano, devido a um desentendimento entre a CBD e a Confederação Sulamericana de Futebol (CONMEBOL), nenhum clube brasileiro participou das edições de 1969 e 1970 da Taça Libertadores. Já em 1971, os dois melhores times do “Robertão” do ano anterior voltaram a participar da competição continental normalmente – na época da Taça Brasil, a Taça Libertadores tinha menos participantes e cada país só tinha direito a uma vaga.

 

 

Com a consagração do novo modelo do campeonato nacional (“Robertão”), a Taça Brasil foi extinta após a edição de 1968. Em 1970, a Seleção Brasileira conquistou o tricampeonato da Copa Jules Rimet (nome oficial da Copa do Mundo naquela época) e garantiu a posse definitiva daquela taça. A euforia tomou conta do país e do Governo Militar, que propôs a inclusão de mais participantes (de outros Estados também) no campeonato nacional. Na próxima semana, vamos analisar o que mudou (se é que mudou alguma coisa) na competição nacional a partir de 1971. Não perca!

"Especial Futebolismo": Seção atualizada aos sábados.



Escrito por Felipe Virolli às 13h46
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A VERDADEIRA HISTÓRIA DO "BRASILEIRÃO"

 

Cronograma do especial "Brasileirão" (em negrito, os assuntos de hoje):

 

Apresentação do tema

1. A necessidade da criação de um campeonato nacional

2. A Taça Brasil

3. A criação do "Robertão" e a extinção da Taça Brasil

4. O que mudou a partir de 1971?

5. De 1974 a 1979

6. Anos 80: Reformulação do campeonato?

7. De 1982 a 1985

8. O rebaixamento de 86 e a grande polêmica de 87

9. Tempo de mudanças importantes

10. Virando a mesa

11. Três pontos por vitória e, claro, mais bagunça

12. Mudanças no regulamento, sinônimo de confusão

13. Copa JH: Tudo em nome da virada de mesa

14. A era dos pontos corridos

15. Considerações finais

 

1. A NECESSIDADE da criação de um campeonato nacional

 

Conforme você pôde acompanhar na reportagem especial do Torneio Internacional de Clubes Campeões (mundial de 1951), a UEFA criou a Champions League em 1955. Com o sucesso desta, em 1959, a CONMEBOL também decidiu investir numa competição com a mesma finalidade: declarar um time campeão continental.

 

 

Para formular esta nova competição, batizada de “Libertadores da América” - homenagem aos principais líderes da independência dos países da América Latina – a Confederação Sulamericana exigiu da CBD a criação de um campeonato nacional para indicar um representante para a competição continental.

 

 

Na próxima semana, vamos analisar como era o regulamento da Taça Brasil e o valor que ela tinha na época. Não perca!

 

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Escrito por Felipe Virolli às 14h56
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Felipe Monteiro Virolli é jornalista e autor do Ranking de Clubes Brasileiros. Polêmico, crítico e muito sincero, Virolli entrou para o jornalismo com a idéia de revolucionar o mundo. Tem ideais vanguardistas e preza muito pela ética na profissão, assim como na vida. Seu desejo com o blog Futebolismo é se tornar referência na internet em conteúdo futebolístico, oferecendo opiniões e análises com qualidade, livres de paixões clubísticas, para quem é fanático por este maravilhoso esporte.
 

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