TAÇA DAS BOLINHAS

A polêmica de 1987 e da Taça das Bolinhas

Por Felipe Virolli


Em meio a tantas polêmicas no futebol brasileiro, vamos abordar hoje a questão da famosa Taça das Bolinhas - objeto que está gerando uma grande disputa nos bastidores entre São Paulo e Flamengo.

Em 1975, a Confederação Brasileira de Futebol (CBD) ganhou um novo presidente, o almirante Heleno Nunes, em substituição a João Havelange, que assumiu o comando da FIFA. Neste ano, a CBD lançou um troféu sofisticado, produzido pelo designer Maurício Salgueiro, e o campeonato passou a ser chamado oficialmente de “Copa Brasil” – sim, este era o nome oficial do campeonato da época.

O que é a Taça das Bolinhas?

É uma peça que leva 156 bolinhas de prata e ouro alinhadas por hastes. Todo clube que conquistasse a Copa Brasil recebia uma réplica deste troféu - o original ficaria em definitivo com o clube que ganhasse o que chamamos de “Campeonato Brasileiro” por três vezes consecutivas ou cinco vezes alternadas, a contar a partir de 1971.

Quem é o verdadeiro campeão de 1987: Sport ou Flamengo?

A FIFA, a justiça – e até bem pouco tempo a CBF - e mais uma minoria da imprensa dizem que foi o Sport. Já grande parte da imprensa e das pessoas citam o Flamengo. Afinal, quem tem razão?

Para chegarmos a uma conclusão, é necessário analisarmos os fatos, conforme o que realmente aconteceu e sem nos preocuparmos em fazer média com torcedores do time A ou B.

Em 1987, uma revolução aconteceu no futebol nacional. A CBF, mal administrada e sem recursos, declarou-se incapaz de promover o campeonato daquele ano. Isso levou os principais clubes do país a criarem, em 11 de julho, uma liga independente, chamada de Clube dos 13 (C13), que prontamente formulou a “Copa União”, com os times da “panela” e mais três convidados. Porém, pressionada – e com razão – pelos clubes que ficaram de fora da nova competição, a CBF voltou atrás de sua decisão, em 14 de julho, e iniciou uma briga com o recém-criado C13, para poder discutir um novo formato para a competição nacional.


Seguiram-se quase dois meses de discussões. Até que, em 3 de setembro, ficou acordado entre CBF e C13, um campeonato com 32 clubes, divididos em dois módulos: O Verde, com os 16 times convidados pelo C13, e o amarelo, com outros 16 times, escolhidos com base num tal “ranking histórico” da CBF. Vale ressaltar que os jogos de ambos os módulos só passaram a ser disputados após o acordo. Portanto, é mentirosa a afirmação de que a “Copa União” estava em pleno andamento quando a CBF impôs o novo regulamento – que previa que os dois melhores times de cada módulo disputassem um quadrangular decisivo para definir o campeão nacional (da Copa Brasil).


Na época, o acordo foi claro entre ambas as partes (CBF e C13) e assinado, inclusive, por Eurico Miranda, representante do C13. A confusão só aconteceu porque, no final das contas, os membros do módulo verde (C13) combinaram entre si que não fariam o cruzamento final - seria o mesmo que o campeão da Taça Libertadores ou da Champions League se recusar a participar do Mundial de Clubes - que também envolve times inexpressivos de outros continentes - e, mesmo assim, se considerar campeão do mundo. Seria um absurdo, não é mesmo?

Pois bem, com essa desistência de Internacional e Flamengo, foi organizada uma decisão entre Sport e Guarani, que determinou o clube pernambucano como campeão brasileiro de 1987. Inclusive, Sport e Guarani representaram o Brasil na Taça Libertadores de 1988.

Ainda assim, mesmo após a decisão da CBF, da FIFA, de o Sport ter ido à Libertadores e ter recebido o troféu de campeão nacional – sim, uma réplica da Taça das Bolinhas -, o Flamengo levou o caso à Justiça. E o veredicto mais uma vez foi favorável ao clube pernambucano. Portanto, em todas as esferas e instâncias possíveis, o Sport é o campeão brasileiro de 1987.

A grosso modo, os clubes mais tradicionais peitaram a CBF e pagaram pra ver quais rumos o futebol brasileiro iria tomar – a idéia do C13 era ter uma liga independente daí em diante -, mas o “tiro saiu pela culatra”. Com isso, embora os torcedores flamenguistas, legítimos campeões do módulo verde – ou Copa União - não tenham culpa de nada, o fato é que o Flamengo apoiou a decisão do C13, deixou de jogar a fase final do Campeonato Brasileiro da época e, portanto, não disputou tal título naquela temporada.

Mesmo assim, o Flamengo insiste em vender a idéia de que foi campeão brasileiro em 1987 – agora com o aval da CBF -, e como também conquistou o Brasileirão de 1992, se intitula como o primeiro clube pentacampeão brasileiro a partir de 1971 e, portanto, se acha no direito de receber a tal Taça das Bolinhas.

Considerações finais

A CBF decidiu oficializar os títulos anteriores a 1971 e eu a elogiei por isso. Embora seja um assunto para uma próxima coluna, em 1967 e 1968 também tivemos apenas um legítimo campeão brasileiro por temporada, mas a CBF acabou contemplando os vencedores das duas competições da época.

Seguindo esta linha de raciocínio - da qual eu não concordo, mas respeito -, é justo reconhecer o título do Flamengo e colocá-lo ao lado do Sport como campeão de 1987. Porém, no que diz respeito à Taça das Bolinhas, entendo que este prêmio deve ser entregue ao primeiro pentacampeão brasileiro de competições organizadas pela CBF – no caso, o São Paulo.

Este assunto, bem explicado para ambas as partes, deixaria o Flamengo satisfeito por ter seu título reconhecido e o São Paulo por ter a Taça das Bolinhas, um troféu que simboliza que este foi o primeiro clube a vencer cinco campeonatos nacionais organizados pela Confederação Brasileira de Futebol – já que a Copa União de 1987, vencida pelo Flamengo, foi organizada pelo Clube dos Treze.

E você, o que pensa sobre este tema?

Felipe Virolli é jornalista e autor do Ranking de Clubes Brasileiros (www.rankingdeclubes.com.br), baseado em pesquisas e análises da história do futebol.



Escrito por Felipe Virolli às 00h45
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Felipe Monteiro Virolli é jornalista e autor do Ranking de Clubes Brasileiros. Polêmico, crítico e muito sincero, Virolli entrou para o jornalismo com a idéia de revolucionar o mundo. Tem ideais vanguardistas e preza muito pela ética na profissão, assim como na vida. Seu desejo com o blog Futebolismo é se tornar referência na internet em conteúdo futebolístico, oferecendo opiniões e análises com qualidade, livres de paixões clubísticas, para quem é fanático por este maravilhoso esporte.
 

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